O que determina um aluno fraquinho? O que é um aluno fraquinho? Ou você é um professor fraquinho?
Desprezando qualquer forma de barreira psicológica ou patológica que possa impedir que um aluno obtenha um aprendizado satisfatório sobre Matemática, o que determina um aluno fraquinho? O que é um aluno fraquinho? Ou você é um professor fraquinho?
Já ouvi muito ele é um aluno fraquinho, tanto por professores que já convivi profissionalmente, como também por outros alunos mais avançados. Neste momento, uma auto-avaliação começa a tomar meus pensamentos e surgi então diversas perguntas. Muitas delas não consigo responder, outras encontro uma solução parcial.
A verdade é que, mesmo não sendo capaz de, naquele momento, não encontrar meios para contornar uma situação desfavorável para um estudante, sinto que tenho uma responsabilidade extra sobre o seu aprendizado. E isso me incomoda muito, quando não consigo alcançar a todos como queria.
Já ouvi muito ele é um aluno fraquinho, tanto por professores que já convivi profissionalmente, como também por outros alunos mais avançados. Neste momento, uma auto-avaliação começa a tomar meus pensamentos e surgi então diversas perguntas. Muitas delas não consigo responder, outras encontro uma solução parcial.
A verdade é que, mesmo não sendo capaz de, naquele momento, não encontrar meios para contornar uma situação desfavorável para um estudante, sinto que tenho uma responsabilidade extra sobre o seu aprendizado. E isso me incomoda muito, quando não consigo alcançar a todos como queria.

É muito fácil jogar a culpa para um aluno, alegando que ele é fraquinho e não tem habilidades para seguir os estudos nas próximas séries/ano, dar uma nota negativa e seguir a vida como se nada tivesse acontecido. É muito difícil olhar para o nosso trabalho e ver que temos uma enorme parcela de culpa quando um aluno mostra rejeição às aulas ou aos seus estudos.
Neste momento, me sinto um professor fraquinho, pois os planos traçados não foram suficientes e não atingiram todos os alunos da melhor forma possível. Toda a metodologia e a didática só surtiram efeitos em alguns. E os outros?
Não importa se o aluno tem um grau de desinteresse pela disciplina, ou ainda pelos estudos. Não importa se ele não carrega consigo sua consciência do que significa ser um estudante. Cabe ao professor e a equipe pedagógica ajudá-lo. Não me refiro a dar aula de reforço, planejar e dar uma aula sensacional cheia de recursos, diversão, interatividade, jogos, debates, etc., atraindo a atenção do seu aluno para as aulas de Matemática ou de qualquer disciplina. Claro, tudo isso conta muito e auxilia incrivelmente.
Porém, existem duas situações que percebi que surtem efeitos rápidos. Tais fatores trazem bons resultados, principalmente para aqueles não atingidos por outras metodologias diretas e indiretas aplicadas em sala de aula.
Independentemente se o professor tem tempo ou não, isso não pode servir como justificativa para uma não tentativa de colaborar para melhoria estudantil do seu aluno.
Fator 1 - Não desista do seu aluno
Já li muitos textos em sites especializados em Educação. A maioria deles apontam que a aprendizagem está relacionada a diversos fatores. O bom ensino por parte do professor é um deles. E quando este falha? O que fazer? Muitas vezes pensamos:- Eu trabalho em dois expedientes, não tenho tempo para auxiliar um aluno em outro horário;
- Não sou pago para dar aula reservada, dou aula somente para turma;
- Não entendeu o assunto agora, estude mais em casa;
- Não posso fazer nada.
Às vezes, a solução é mais simples do que imaginamos. Na maioria das vezes, o problema pode ser contornado, insistindo no mesmo método de aula. Como assim?
Seja uma aula teórica tradicional, utilizando novas tecnologias ou com objetos de aprendizagem lúdicos; não desista do seu aluno e não deixe que ele perceba sua fraqueza por não saber lidar com essa situação.
Sou professor do 6º ano do Ensino Fundamental 2 ao 3º ano do Ensino Médio, e todo o dia lido com situações que me deixam "sem saída".
Durante o 1º bimestre deste ano (2015) um aluno do 6º ano lutava incansavelmente para entender um conteúdo, relativamente simples para nós, mas para ele não. A única alternativa que apliquei nos momentos em sala de aula, foi insistir em explicações mais detalhadas ainda.
No final do bimestre a avaliação deste aluno coincidiu com o meu aniversário. E neste dia, ao informar a sua nota (9,0), recebi uma cartinha que me fez chorar. O final da carta dizia assim: "...obrigado por não desistir de mim."
Continue lendo.
Fator 2 - Método do "faça errado, mesmo sem saber como"
Depois de tantas explicações e observações pontuais específicas sobre o conteúdo em questão, anotei uma série de instruções para ser realizada em casa pelo aluno. Como não há tempo suficiente para auxiliá-lo individualmente, a ideia que veio em minha mente é de saber o porquê de ele não aprender.São elas:
- Leia atentamente as definições e conceitos matemáticos;
- Observe bem a linguagem matemática dos exemplos e dos exemplos resolvidos;
- Crie um exercício de nível fácil e tente resolvê-lo;
- Crie um exercício de nível médio e tente resolvê-lo;
- Crie um exercício de nível avançado e tente resolvê-lo;
- Quando não conseguir resolver nenhum exercício de qualquer nível, mesmo assim tente resolvê-los.
- Tente resolvê-los sem ajuda externa;
- Mesmo quando houver dúvida do que vai calcular, assim faça;
- Nunca deixe de fazer um cálculo, por medo de errar, pois esse é o momento de errar;
- Algum aprendizado carrega consigo, resta identificar como aplicar corretamente.
Após uma semana de aula sobre um determinado conteúdo matemático, aliado aos estudos frequentes em casa, tentar resolver problema-situações não é fácil, pois a falta de confiança ainda supera o medo de errar.
E é neste ponto que este "método" começa a fazer a diferença, pelos menos com os meus alunos.
O papel do professor nesta tarefa:
Ao fazer as correções dos exercícios com a turma, a instrução principal é: NUNCA APAGUE AS RESPOSTAS ERRADAS encontradas em sala de aula ou em casa. Em vez disso, corrija os possíveis erros escrevendo as soluções corretas ao lado das respostas erradas.
Desta forma é possível comparar e localizar os verdadeiros erros que levaram o aluno a não entender o conteúdo total de forma correta. Na maioria das vezes é uma questão de caráter interpretativo que levou a confundi-lo.
Nem sempre é possível identificar deficiências comuns, pois estas exigem o olhar de outro profissional qualificado. Por exemplo, tenho um aluno com dislexia, e que fiquei sabendo deste fato muito tempo depois. Suas habilidades com cálculo nunca foram anormais, mas só agora percebi que o que falta nele é saber interpretar problemas e enunciados contextualizados. Neste caso um acompanhamento específico é necessário para a sua evolução escolar.
É importante estar ciente de que a deficiência escolar de um aluno em alguma disciplina não deve ser associada somente a sua capacidade intelectual de aprendizagem, e assim, denominá-lo como ele é muito bom ou ele é fraquinho. Tais situações não podem ser apenas identificadas em avaliações formais escritas. Muito menos em 50 minutos de aula.
Concluindo
A ideia deste post não é influenciar na forma como você, professor, administra suas aulas e o aprendizado de seus alunos. No entanto é importante perceber que geralmente identificamos deficiências cognitivas em nossos alunos, através de um simples bate papo informal em sala de aula ou mesmo pelos corredores da escola.Nem sempre é possível identificar deficiências comuns, pois estas exigem o olhar de outro profissional qualificado. Por exemplo, tenho um aluno com dislexia, e que fiquei sabendo deste fato muito tempo depois. Suas habilidades com cálculo nunca foram anormais, mas só agora percebi que o que falta nele é saber interpretar problemas e enunciados contextualizados. Neste caso um acompanhamento específico é necessário para a sua evolução escolar.
É importante estar ciente de que a deficiência escolar de um aluno em alguma disciplina não deve ser associada somente a sua capacidade intelectual de aprendizagem, e assim, denominá-lo como ele é muito bom ou ele é fraquinho. Tais situações não podem ser apenas identificadas em avaliações formais escritas. Muito menos em 50 minutos de aula.
Muito obrigado por compartilhar estas preciosas dicas. Permita-me apontar mais um grande fator, além dos citados acima, que é o bloqueio mental no subconsciente daqueles considerados "fraquinhos', mas que foi a sociedade que impôs: de que Matemática é difícil, é bicho de sete cabeças, que não é pra qualquer um e por aí vai; verdadeiro tabu que tem sido passado de geração à geração. Então fica a pergunta, como quebrar esse tabu, que desencoraja o aluno antes mesmo dele começar? Parabéns por mais este post, Prof. Edigley.
ResponderExcluirOlá, Sidney! Tudo bem?
ExcluirVocê lembrou de um fator que sempre prego nas redes sociais e em comentários pertinentes em sala de sala. O desserviço que páginas de "humor" fazem nas redes sociais é gigantesco e colabora para o agravamento dessa situação.
Para quem não tem a consciência do que significa ser estudante, se deixa levar pela ignorância intelectual, que consequentemente gera e aumenta esse bloqueio mental.
Contornar essa situação é complexo demais. Envolve o investimento direcionado e eficiente do Estado à Educação, uma gestão escolar de qualidade e preocupado com o ensino, o verdadeiro papel dos pais na escola, etc.
O que me resta é dar a minha pequena contribuição. Um trabalho de formiga.
Obrigado por vir aqui e deixa este comentário.
Um abraço!
Normalmente professores sem paciência nenhuma “tomam" o exercício do aluno e resolvem por não ter paciência e qualificação para ensinar. Isso é realmente chato, vejo amigas dizendo que não vão estudar porque vão tirar 0 de qualquer jeito, que não vão precisar de álgebra ou equação na vida adulta, que vestibular e Enem são para doidos e malucos. A minha maior motivação é subir na vida e proporcionar uma qualidade melhor de vida para a minha mãe.
ResponderExcluirOlá!
ExcluirTe entendo e temos pensamentos semelhantes. Eu nunca inventaria de ir para uma sala de aula se não tivesse descoberto minha vocação para a licenciatura.
Olhando por esse ponto de vista, não importa o que vai estudar e o que não aplicará na sua vida. O que importa é que todo e qualquer estudo servirá para abrir o seu pensamento e gerar ideias que serão aplicadas em seu futuro.
O seu pensamento de querer estudar e poder dar uma vida melhor para a sua mãe é louvável demais. Continue assim.
Um abraço!
Excelente artigo! Excelente blog!
ExcluirObrigado! Obrigado!
ExcluirOlá, Wilma!
ResponderExcluirO contexto deste artigo não é bem esse trouxe em seu comentário. Mas, no fundo eu te entendo. Quero te dizer: NUNCA É TARDE PARA ESTUDAR.
Transforme as situações ruins que passou em motivação e corra atrás daquilo que deseja. Somente com muito esforço você pode conseguir algo. Lamentar não é pecado, permanecer se lamentando e não fazer nada, é o que pode te prejudicar mais ainda.
Um abraço!
Entendo você. Mesmo quando era jovem, minha vida não foi tão fácil assim. Conto isso no artigo Como treinei meu cérebro para me tornar fluente em Matemática.
ResponderExcluirUm abraço e sucesso em seus planos.
Olá Prof. Edigley,
ResponderExcluirobrigado pelas respostas anteriores! Reli novamente este tópico "Você é um aluno fraquinho" e, como professor que fui de outras disciplinas que não Matemática, também avaliei muito mal alguns alunos durante meu tempo de magistério… Daí que a leitura de seu texto me causou uma profunda reflexão do quanto podemos ser melhores professores e que muita coisa ainda depende de nós.
Essa ideia de deixar o exercício mesmo errado sem apagá-lo na folha e depois ao lado, colocar a solução correta é uma bela solução, trabalhosa, mas uma saída perfeita. Aconteceu comigo inúmeras vezes na adolescência quando eu conseguia armar a equação, chegava perto do resultado e, como não coincidia com uma das alternativas propostas, apagava tudo e marcava uma outra qualquer. Ou seja, o processo, o caminho, o meio, era perdido e eu me sentia incompetente para continuar pensando através da própria experiência. Não me lembro de nenhum professor que se interessasse pelos processos mas apenas pelos fins, pela resposta. Já adulto e lecionando em escola de design, agia justamente desta maneira, com ênfase no processo, onde eu valorizava ao extremo croquis e rascunhos, ou seja, o caminho de encontro de uma solução visual, mesmo que não fosse a mais bonita ou criativa, pois sabia, que isso se daria com o tempo.
Um abraço,
Roberto Marques, BH
Olá, Roberto!
ExcluirSe ficarmos parados e reclamar de tudo e de todos, esperando uma ajuda "divina" nada irá acontecer. Às vezes, as pequenas ações geram bons resultados.
Obrigado por estar aqui e por seus comentários.
Um abraço!
Parabéns pelo blog professor. Realmente tive vários professores, não só de matemática, mas de física e outras. Muitos desses professores avaliam os alunos e ditam os exemplares e os fraquinhos, porém muitos não param para analisar o por quê do aluno ter dificuldades, não dão a mínima, querem que o aluno busque conhecimento sozinho, porém o papel do professor é nos auxiliar na aula, para que assim possamos entender a disciplina e treinar em casa. Muitos professores ignoram os fraquinhos e só dão atenção para os mais avançados, logo os ditos fracos ficam mais desanimados e com pensamento de inferioridade, pois vê o professor ser amigo e gentil com o aluno que tem mais desenvoltura, pois tem base e pessoas em casa que os auxiliam. Isso é um tema pouco posto em pauta, mas o senhor através desse blog tem mostrado a solidariedade perante esse tema pouco discutido, parabéns por mostrar esse lado. Abraços!!!
ResponderExcluirOlá!
ExcluirVocê realmente disse tudo. Acontece assim mesmo, e não é coisa apenas de escola pública.
Obrigado por seu comentário.
Abraço!
Percebo uma inversão de valores e mesmo de ética. "O bom professor" é aquele que realiza seu trabalho, óbvio, essa deveria ser a regra, porém, olhando nossa sociedade como um todo observo a falta dos "bons" profissionais. A educação possui um vislumbre maior que outros setores, seu erro fica claro para todos. "O aluno fraquinho" é uma associação de fatores, o professor faz parte dela, entretanto, não é o único, temos a escola, família e outros entes envolvidos. Podemos lecionar, mas como lutar contra a maré que está vindo? Acredito em respostas como esse blog, acompanho seu trabalho. Devemos lutar contra essa onda, lembrando, não podemos agir sozinhos. A resposta vem de todos.
ResponderExcluirOlá, Vanderlei!
ExcluirSeu comentário é perfeito. Eu tento não ser pessimista em relação ao futuro da Educação nesse país, mas está cada vez mais difícil. Nesse momento a universidade onde me formei está em greve, pois o estado não paga os salários desde novembro e não tem previsão. Os problemas são vários e um mais complexo do que o outro. Tentar resolvê-los depende da ação efetiva do Estado, família e escola.
Trabalhar sozinho árduo demais, mas temos que continuar.
Um abraço!
Gratidão por compartilhar os ensinamentos!
ResponderExcluirOlá, Rafa!
ExcluirObrigado por estar aqui.
Um abraço!